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Corrida pela felicidade

Conheça a história do médico cooperado que superou os desafios da vida e mudou hábitos com a ajuda dos filhos

05 de agosto de 2021

A chegada dos filhos é um momento incrível e que transforma a vida dos pais. No começo, os desafios da paternidade podem até assustar, mas, com a convivência do dia a dia, os laços se fortalecem e a rotina se ajeita. Os pequenos crescem, ganham autonomia, descobrem o mundo e, quando menos se espera, tornam-se a maior fonte de força e amor verdadeiro. 

Para comemorar o Dia dos Pais, celebrado em 08 de agosto, vamos contar a história do médico cooperado, Dr. Paulo Renato Jornada Krebs, e seus filhos Carmela e Amadeu. Um enredo que começou em 1983, com a chegada da primeira filha, foi intensificado em 1987, com o nascimento do rapaz, e transformado em 2014, com a descoberta de uma doença que mudou a rotina da família. 

A corrida transformadora 

Amante dos esportes, Paulo sempre teve a prática esportiva como uma das tarefas primordiais de sua rotina. Adepto das corridas, pescarias e do golfe, o radiologista logo incentivou os filhos a buscarem uma atividade que fosse prazerosa, afim de proporcionar bons momentos aos pequenos e, ao mesmo tempo, cuidar da saúde. 

“Nem sempre os filhos optam pelas mesmas atividades dos pais. Mas em muitos momentos todos compartilham. Como sempre pratiquei esportes, meus filhos também os fazem, embora optassem por atividades diferentes das minhas escolhas”, conta Paulo. 

Amadeu até acompanhou o pai no golfe e em pescarias, no entanto, com o passar do tempo, outras atividades ganharam seu apreço. Já Carmela, escolheu a patinação, esporte pelo qual se apaixonou. Para incentivar a filha, Paulo aprendeu a patinar, mas a tentativa de estar junto a garota em quatro rodas, durou pouco tempo. 

“Os pais também se adaptam para acompanhar e incentivar os filhos nas suas atividades… Mais tarde é que iniciamos com a corrida e isto mudou muito os nossos hábitos”. 

Além da patinação, Carmela participava de um grupo de corridas e se preparava para encarar a primeira prova. Nas férias, a família viajou e a jovem ficou sem parceria para treinar. “Foi quando lhe disse que eu correria junto. Ela até não levou muita fé no corredor, mas depois do primeiro treino não paramos mais”, relembra o radiologista. 

Conforme pai e filha se aperfeiçoavam, resolveram encarar as competições. Nem mesmo o período de faculdade da filha, que fazia residência em Porto Alegre, impediu Paulo e Carmela de se aventurarem em maratonas. Na época, “eu ia competir lá e ela também vinha a Santa Cruz do Sul”.  

Foi quando resolveram participar juntos da São Silvestre, em São Paulo. No dia 1º de janeiro de 2014 Paulo deu início aos treinos dedicados a famosa corrida. Como Carmela já havia participado da edição de 2011, ele tinha seu apoio e experiência para encarar o desafio. Havia doze meses para o preparo. Porém, em agosto daquele ano, um fato mudou os planos e rotina da dupla. 

“Naquele mês comecei a apresentar rouquidão e em dezembro foi detectada uma lesão na corda vocal. Depois de 11 meses de preparo não poderia deixar de correr a minha primeira São Silvestre”, destaca o radiologista.  

Paulo e Carmela na São Silvestre de 2014

Após realizar uma biópsia, detectou-se a neoplasia de laringe, uma alteração que exigia cirurgia imediata. “Corremos no dia 31 de dezembro de 2014. Eu estava muito rouco e isto é notado nos vídeos que fizemos durante a corrida, mas o fôlego não teve muita alteração porque estava bem preparado. Festejamos muito o momento”. 

Então, no dia 7 de janeiro de 2015, Paulo fez a cordectomia parcial, procedimento cirúrgico indicado a pacientes que apresentam um quadro de câncer na laringe. Já em 16 de fevereiro, fez-se necessária a cordectomia total. “Logo me recuperei e retornamos a corrida, em vária modalidades, como a de rua, trilhas e Mega Race”. 

Pulando obstáculos 

Tudo ia bem, as competições não paravam. Até que, em setembro de 2017, durante a corrida em Punta del Este, Paulo sentiu um novo desconforto na laringe. A biópsia revelava que a lesão recidivou, então deu-se início ao tratamento radioterápico. 

Sem êxito, o radiologista foi submetido a laringectomia parcial com traqueostomia definitiva. “Fiquei 24 dias no Hospital AC Camargo devido a intercorrência do pós operatório e fonoterapia. Mesmo no hospital, eu corria 4km nos corredores. Imaginem que o corredor fazia uma volta no posto de enfermagem, eram 136m, o que dava mais de 30 voltas. Pratiquei até me proibirem porque quase virei um carrinho de medicação”, relembra. 

Mesmo traqueostomizado, Paulo continuou sua jornada nas pistas. Em janeiro de 2019, realizou a TTT – Travessia Torres Tramandaí, um percurso de mais de 84km, na modalidade octeto.  

Após nova recidiva, em que descobriu linfonodos cervicais, mediastinais e nódulos pulmonares, iniciou quimioterapia e manteve o foco nas corridas. Quando todos acharam que ele iria desistir dos esportes, Paulo surpreendeu mais uma vez.  

“Realizei uma toracotomia na segunda-feira, saí na terça da UTI, pedi alta na quinta e corri na sexta. No sábado joguei golfe”.  

Paulo participou da TTT após a traqueostomia

Amor incondicional 

Paulo acredita que sua batalha contra as doenças só se firmou graças ao apoio dos filhos. Enquanto dividia a jornada entre internações e corridas, Carmela e Amadeu se revezavam na administração da RADSON, empresa a qual está à frente a mais de 30 anos.  

Desde dezembro de 2014, quando descobriu a doença, Paulo relata que já fez 14 procedimentos cirúrgicos, realizou nove internações, duas radioterapias, seis meses de quimioterapia e 18 meses de imunoterapia.  

Após 6 anos de corridas pela vida, ter os filhos ao lado é um sentimento imensurável para o radiologista. “Tudo que ocorreu não alterou a minha vontade de lutar. Principalmente porque em todas as ocasiões meus filhos estavam juntos e não arredavam o pé me cuidando”. 

Questionado sobre a importância de os pais manterem uma relação próxima de seus filhos, Paulo acredita que isso é uma construção natural e importante para a vida.  

“Os filhos ficam perto dos pais um período, entretanto com as mudanças que surgem devido a estudo, trabalho e formação de família há uma separação física, mas o sentimento de proximidade não acaba. Temos que manter a “proximidade” mesmo com os filhos a distância. Hoje eles estão como eu no início, pois nasceram seu filhos Felipe (Carmela) e Rafa (Amadeu). Estes netos maravilhosos são a continuidade do que construímos e ainda não acabamos. Festejar o Dia dos Pais com eles enche nossos corações de paz e a certeza que o amor de filho nos dá força para superarmos os obstáculo e percalços da vida. Sei e senti isto. Digo-lhes: nunca estive sozinho”. 

Amadeu, Paulo e Carmela