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Artigo – Como liderar em tempos de crises? – Nilson Luiz May

May é médico, escritor e presidente da Federação das Cooperativas Médicas do Rio Grande do Sul

31 de agosto de 2020

Nilson Luiz May*

De repente, desde o último verão, muitos mergulharam em plataformas virtuais para discutir, em reuniões diárias, por vezes pesadas e longas, o presente e o futuro de suas carreiras e organizações.

Entre telas, munidos de dados, cabos e informações online, discutem-se medidas a serem tomadas diante das incertezas e das crises sanitária e econômica gerada pela pandemia do coronavírus. Aguardam uma possível/esperada volta à ‘normalidade’, que dificilmente virá tão cedo, e que nos arrasta para projetar os negócios e as relações humanas que advirão.

No pré-covid-19, já passávamos por mudanças da sociedade, que caminha para um estado de incertezas e transitoriedade, observado por Zygmunt Bauman, criador do conceito de “modernidade líquida”, onde a impermanência revela-se como uma das poucas certezas.

Esse denso caldo traz um questionamento que tenho ouvido de forma recorrente nos últimos dias, especialmente depois do lançamento da obra ‘Liderança Duradoura – Cinco décadas de vivências reveladas’, da editora Scriptum Produções Culturais: como liderar em tempos de crise?

Primeiro, vale dizer, que na bonança cabe ao líder manter a empresa funcionando, conforme o propósito do negócio, atento às demandas e oportunidades do mercado, com colaboradores motivados/comprometidos e consumidores/clientes felizes.

Em meio à tempestade, contudo, é preciso ir além. Fred Greenstein, cientista político americano, afirma que “sendo a liderança uma qualidade de nascença, que certos indivíduos têm e outros não, alguns só apresentam tal vocação quando enfrentam uma situação-limite”. E, aqui, diante do contexto atual, existe esta verdadeira condição. Por isso, a liderança deve ser exercida, acima de tudo, sustentada em princípios e valores, tais como aqueles que defendo no livro ora em lançamento. Afinal, a modernidade líquida não pode – nem irá – prescindir da liderança sólida. E é no aparente paradoxo verbal que encontra-se o caminho da verdade e, em última análise, da sobrevivência.

A liderança, portanto, é condição insubstituível no direcionamento das ações e encaminhamento de soluções ou, pelo menos, para a redução do avanço da calamidade. Na ausência do líder, há o caos: o que vale é o cada um por si. Sem o firme comando, as pessoas, em desespero, tornam-se inimigas.

Devemos, pois, ser progressivos e inovadores, usando a ciência e os avanços da tecnologia ao máximo, mas sempre sob o comando do homem.

A evolução histórica universal, em qualquer período, demonstra que o centro das decisões está naquela pessoa que defende de forma intransigente seus princípios e valores para conduzir os liderados. Este é o segredo da duradoura manutenção da liderança.

*Nilson Luiz May é médico e escritor. É presidente da Federação das Cooperativas Médicas do Rio Grande do Sul.