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Cuidados básicos para pais e filhos nas redes sociais

Com o acesso fácil à internet, pais e, principalmente, filhos divulgam todos os seus momentos nas redes sociais. Até que ponto essa interação é saudável para a relação pai-filho?

06 de fevereiro de 2020

O tema “crianças e adolescentes nas redes sociais” costuma render polêmicas constantes e lançar alertas para as famílias. Recentemente, o Instagram divulgou que deverá deletar as contas de menores de 13 anos, exceto aquelas que são administradas por seus pais, seguindo o que consta em seu regulamento.

Por um lado, as crianças de hoje já nasceram em um mundo digital e naturalmente utilizam a tecnologia nos momentos de lazer. Na outra ponta estão os pais que tentam monitorar e limitar as atividades dos filhos no mundo virtual e especialistas que frequentemente alertam sobre os perigos e as consequências do tempo excessivo em conexão.

O uso das redes sociais afeta a saúde mental e física. Uma pesquisa da The Royal Society for Public Health (RSPH) indicou que elas viciam tanto quanto álcool e cigarro. Especialistas afirmam que elas também favorecem a ansiedade, a depressão, a sensação de solidão e a baixa autoestima. Sobre a saúde física, a coluna é uma das mais impactadas, já que o uso constante de celular faz com que as pessoas fiquem com a cabeça inclinada para a frente e a postura incorreta, o que tem levado crianças e jovens com queixas de dores aos consultórios de ortopedistas.

Além de ser uma ameaça à segurança da família, o hábito de divulgar todos os momentos vividos nas redes sociais, aguardando uma chuva de curtidas que massageiam o ego e demonstram popularidade, pode dar novos contornos ao convívio familiar e social. Médicos, psicólogos e psicoterapeutas têm convidado as pessoas a refletirem se mais vale registrar as vivências para exibi-las ou deixar o celular de lado e aproveitar desde os momentos mais simples até os mais especiais ao lado de quem se ama. É o mundo virtual ou a vida real?

Presença on-line desde a tenra infância

Um levantamento da empresa de segurança digital AVG com dados de pessoas de 10 países mostra que, a cada quatro crianças com menos de dois anos, três delas têm fotos on-line. Ou seja, seus pais é que são responsáveis pela superexposição dos pequenos que nem sequer se manifestam ainda se gostariam de tamanha presença no mundo virtual.

Especialistas têm convidado os adultos a refletirem sobre a troca do hábito de narrar para quem quiser ver a vida cotidiana dos filhos no mundo on-line por uma convivência mais intensa, com abraços, conversas olho no olho e atividades em conjunto que fortaleçam o vínculo, deixando o celular totalmente de lado.

Os benefícios desse exercício podem ser desde uma maior proximidade entre pais e filhos, como o estreitamento da confiança, o fortalecimento da amizade e o aumento da cumplicidade. A conversa sobre o que cada um quer ou deve postar nas redes sociais deve entrar na pauta da família, mas, no caso de crianças pequenas, cabe aos pais uma análise cuidadosa do que é permitido ou não, e um monitoramento de perto das atividades.

Já no caso dos jovens, psicólogos e especialistas em segurança virtual orientam os pais a ficarem de olho não apenas nas postagens, como também nos grupos que eles participam e a forma como interagem. Tudo com um limite combinado. Aos adultos, vale o alerta para avaliar o que realmente deve ser postado sobre a família. Pisando no freio e mudando os hábitos, certamente todos vão contabilizar os ganhos ao apostar em viver plenamente os bons momentos ao invés de priorizar mostrá-los na internet.

Fontes: Programa de Dependências Tecnológicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), The Royal Society for Public Health, Universidade da Flórida e SaferNet

Categoria: Filhos e Gestação