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Sejamos a voz das mulheres

No Dia Nacional Contra a Violência à Mulher especialista dá dicas para reconhecer os primeiros sinais de abuso e fala como proteger as vítimas

10 de outubro de 2021

Todos os dias a dor de inúmeras mulheres é silenciada pelo medo e a vergonha por serem violentadas. Ainda que muitas se calem diante do sofrimento, em 2020 mais de 105 mil denúncias de violência ao sexo feminino foram registradas no “Ligue 180” e “Disque 100”. Fato que comprova a necessidade de a sociedade se mobilizar para ser a voz das mulheres, visto que o número de casos pode ser ainda maior.

Violência doméstica e familiar contra a mulher, como explica a assistente social da Unimed VTRP, Melissa Bozzetto Capra, é toda e qualquer ação que cause sofrimento físico, sexual ou psicológico, dano moral e patrimonial, ou mesmo a morte da vítima.

“Pode ocorrer no ambiente doméstico, nas relações familiares ou em qualquer relação íntima de afeto. É uma das formas de violação dos direitos humanos e independe de orientação sexual”, destaca.

Ainda que a vítima tente esconder as agressões, Melissa explica que alguns sinais e comportamentos diferentes revelam, no dia a dia, que algo pode estar errado com aquela mulher.

Na primeira fase da violência, sensações como tristeza, angústia, ansiedade medo e desilusão são vivenciadas por ela. “A vítima tende a negar que isso está acontecendo, esconde os fatos das demais pessoas e, muitas vezes, acha que fez algo de errado para justificar o comportamento violento do agressor” indica a assistente social.

Já no estágio seguinte, a tensão psicológica se apresenta de forma severa. Sinais como perda de peso, fadiga constante e insônia, podem ser percebidas com mais facilidade pelo grupo de convívio da vítima. É nesta fase então que o medo, ódio, a solidão, pena de si mesma, vergonha e confusão ganham constância e são determinantes para o destino da mulher.

Envolvida pelas emoções e cansadas do sofrimento, as vítimas tomam decisões importantes. “As mais comuns são buscar ajuda, denunciar, esconder-se na casa de amigos e parentes, pedir a separação e até mesmo suicidar-se”, alerta Melissa.

Mas é na Fase 3 que o ciclo tem grandes chances de recomeçar. Afinal, a etapa se caracterizada pelo arrependimento do agressor e ilusão da mulher por constatar os esforços da pessoa amada. É desta forma que muitas retomam os relacionamentos e por fim repetem o ciclo.

Como proteger as mulheres e denunciar as agressões?

Primeiramente, Melissa ressalta que parte do silêncio das vítimas se deve ao medo do aumento da violência, descrença na legislação, dependência econômica e o desejo de preservar o casamento, além dos sentimentos de vergonha e culpa.

“No momento em que for identificado risco e frequência dos atos de violência, com ou sem o consentimento da vítima, é obrigação de qualquer cidadão realizar a denúncia”, enfatiza a assistente social.

As queixas podem ser feitas pelo “Disque 180” e “Disque 100”, serviços gratuitos para denúncias de violações de direitos humanos, e no “190” da Brigada Militar. Todas as denúncias podem ser feitas de forma anônima.

Além disso, as vítimas podem ainda se direcionar até uma delegacia ou serviço especializado, como a Patrulha Maria da Penha e os Centros de Referência Especializados em Atendimento à Mulher.

Unidades Básicas de Saúde (UBS), hospitais, Centros de Atenção psicossocial (CAPS), e Centro Especializado de Atendimento de Assistência Social (CREAS) também estão preparados para amparar as vítimas e seus filhos.

No geral, a melhor forma para combater e prevenir os casos de violência doméstica e familiar, segundo Melissa, é por meio:

  • Da educação
  • De políticas públicas (áreas de saúde, segurança pública, assistência social, justiça)
  • Profissionais formados e preparados para intervenções desta demanda.
  • Delegacias especializadas.
  • Abrigos.
  • Tratamento à vítima, filhos e ao agressor.

Além disso, o empoderamento feminino tem tido um papel muito importante no rompimento do ciclo de violência doméstica, visto que o movimento permite que mais mulheres tenham voz e possam mudar o seu destino. 

Atualmente, a violência doméstica está entre os principais temas no ranking das preocupações do universo feminino. Mas, ainda assim, a realidade da maioria das mulheres agredidas mostra que elas não tomam providências por estarem subordinadas aos interesses de seus companheiros.

Ao tomarem a atitude de denunciar e seguir com o processo, as mulheres mostram claramente a vontade de mudança, interpretado como o momento em que ela rompe limites significativos e deixam de lado paradigmas ultrapassados. Assim são notados os primeiros sinais de empoderamento. 

Violência Doméstica X Pandemia

O isolamento social gerado pela pandemia da Covid-19 acentuou os conflitos familiares, pois obrigou mulheres a permanecerem em convivência prolongada com seus agressores no lar.

“O número de casos de feminicídio também apresentou aumento em diversos estados do Brasil e no mundo, quando comparado com o mesmo período do ano de 2019”, afirma Melissa.

Em decorrência do isolamento, no ano de 2020, os resultados demonstraram redução de praticamente todas as notificações de crimes em delegacias de polícia. “Neste contexto, ainda é cedo para avaliar se estamos diante da redução dos níveis de violência doméstica e sexual ou se a queda seria apenas dos registros em um período no qual as medidas de isolamento social foram mais respeitadas pela população”.

Apesar da redução verificada nos registros policiais, o número de Medidas Protetivas de Urgência concedidas cresceu, passando de 281.941, em 2019, para 294.440, em 2020. Crescimento de 4,4% no total de medidas protetivas de urgência concedidas pelos Tribunais de Justiça.

A Unimed VTRP

A cooperativa está desenvolvendo ações de combate à violência contra a mulher através de treinamentos com colaboradores das diferentes áreas de atendimento ao cliente.

Desta forma, proporciona-se a capacitação adequada para desenvolver escuta sensível e direcionamento das demandas para a rede de apoio interna e externa, bem como desenvolvimento de estratégias de comunicação através das redes sociais.

As ações estão em fase de planejamento e devem entrar em vigor a partir de novembro de 2021.