Saúde do coração no inverno: por que o frio exige atenção redobrada e como se proteger
20 de julho de 2026
Quem vive no Sul do Brasil sabe bem como o inverno pode ser rigoroso. O que nem todo mundo sabe é que o frio também afeta diretamente o coração. Nos meses mais gelados, aumentam as internações e os atendimentos de emergência por infarto, AVC e descompensação de doenças cardíacas em todo o país.
Entenda por que o inverno mexe com a saúde do coração, quem precisa de atenção especial e o que fazer para atravessar a estação com mais tranquilidade e bem-estar.
Por que o frio afeta o coração?
O corpo humano trabalha o tempo todo para manter a temperatura interna estável. Quando o termômetro despenca, um dos primeiros mecanismos de defesa é a vasoconstrição: os vasos sanguíneos se contraem para reduzir a perda de calor. Essa resposta natural tem um efeito colateral importante: a pressão arterial sobe e o coração precisa fazer mais força para bombear o sangue.
Para quem tem o sistema cardiovascular saudável, esse esforço extra costuma passar despercebido. Já para pessoas com hipertensão, placas de gordura nas artérias (aterosclerose) ou outras condições cardíacas, ele pode funcionar como gatilho para eventos graves, como infarto e AVC. Segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), os casos de infarto podem aumentar em até 30% durante o inverno.
Outros fatores da estação também pesam na balança:
Infecções respiratórias: gripes, resfriados e pneumonias são mais comuns no frio e provocam uma sobrecarga inflamatória no organismo, que pode desencadear complicações cardiovasculares, principalmente em quem já tem alguma doença do coração.
Mudança de hábitos: nos dias frios, tendemos a nos movimentar menos, comer alimentos mais calóricos e ricos em sódio, beber menos água e, em algumas ocasiões, exagerar no álcool. Somados, esses comportamentos elevam a pressão arterial e o colesterol.
Quem precisa de atenção redobrada no inverno
O frio afeta a todos, mas alguns grupos têm risco cardiovascular mais elevado nos meses de inverno:
- Pessoas com 60 anos ou mais;
- Quem tem hipertensão arterial — condição que, segundo a SBC, atinge cerca de 30% da população adulta brasileira;
- Pessoas com diabetes;
- Quem já teve infarto, AVC ou tem diagnóstico de doença cardíaca;
- Fumantes;
- Pessoas com colesterol elevado ou obesidade.
Se você faz parte de um desses grupos, o inverno não é motivo para alarme, mas é, sim, um momento de manter o tratamento em dia, não suspender medicamentos por conta própria e conversar com seu médico sobre cuidados específicos para a estação.
Sinais de alerta: quando procurar atendimento imediato
Reconhecer os sintomas de um infarto pode salvar vidas. Fique atento aos principais sinais:
- Dor ou sensação de aperto, peso ou queimação no peito, que pode irradiar para o braço (principalmente o esquerdo), costas, mandíbula ou região do estômago;
- Falta de ar;
- Suor frio;
- Náusea, enjoo ou tontura;
- Palpitações intensas ou desmaio.
Em caso de suspeita de infarto, cada minuto conta. Procure imediatamente atendimento médico. Não espere os sintomas passarem sozinhos e, sempre que possível, evite dirigir por conta própria até o hospital.
Lembre-se que o contato para acionar o SOS Unimed agora é 0800 709 3000
8 cuidados para proteger o coração nos dias frios
1. Mantenha o corpo aquecido. Vista-se em camadas e proteja extremidades como mãos, pés, pescoço e cabeça. Tenha atenção especial nas transições bruscas de temperatura, como ao sair de um ambiente aquecido para o frio da rua ou da madrugada.
2. Não interrompa seus tratamentos. Medicamentos para pressão alta, diabetes e colesterol devem ser mantidos conforme a prescrição, mesmo que você esteja se sentindo bem. Qualquer ajuste de dose deve ser feito apenas com orientação médica.
3. Continue se movimentando. A atividade física regular segue recomendada no inverno, ela ajuda a controlar a pressão, o peso e o colesterol. Prefira os horários mais amenos do dia, faça um bom aquecimento antes de começar e, se você tem alguma condição cardíaca, converse com seu médico sobre a intensidade ideal para os dias mais frios.
4. Cuide da alimentação. Sopas e caldos podem ser aliados quando preparados com legumes, verduras e pouco sódio. Modere no consumo de frituras, embutidos, queijos amarelos e outras preparações típicas da estação, reservando-as para ocasiões pontuais.
5. Hidrate-se, mesmo sem sede. No frio, a sensação de sede diminui, mas o corpo continua precisando de água para funcionar bem, inclusive o sistema cardiovascular.
6. Vacine-se contra a gripe. A vacinação protege contra complicações respiratórias e, com isso, também ajuda a reduzir o risco de descompensações cardiovasculares associadas às infecções. Um cuidado especialmente importante para idosos e pessoas com doenças crônicas.
7. Modere no álcool. A sensação de calor provocada pelas bebidas alcoólicas é passageira e pode mascarar a perda de temperatura corporal. Além disso, o consumo excessivo contribui para a elevação da pressão arterial.
8. Mantenha o acompanhamento médico em dia. Consultas de rotina e exames periódicos permitem identificar e controlar fatores de risco como pressão alta e colesterol elevado antes que eles se tornem um problema maior.
Prevenção é um cuidado para o ano inteiro
O inverno passa, mas o cuidado com o coração deve ser contínuo. Manter o acompanhamento médico regular, conhecer seus fatores de risco e adotar hábitos saudáveis são as formas mais eficazes de prevenir doenças cardiovasculares no frio e em qualquer estação.
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Se você tem hipertensão, diabetes ou outra condição crônica, aproveite este período para verificar se suas consultas e exames estão em dia. E, ao primeiro sinal de sintomas como dor no peito ou falta de ar, procure atendimento imediatamente.
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